Uma cena igual a essa causou uma estranha conversa hoje entre eu, um estudante de Ciências Sociais da UFPE e uma outra mulher anônima enquanto esperávamos um ônibus em comum. Estávamos no ponto. De repente um grupo de uns oito meninos entre 9 e 12 anos se agarraram nas três portas laterais de um ônibus quando este deu saída de uma forma tão brusca que me assustou e eu não pude deixar de fazer um comentário sobre a irresponsabilidade do motorista que não parou o veículo e feito as crianças descerem.
A mulher anônima me respondeu dizendo que se o motorista fizesse isso, o ônibus poderia ser apedrejado pelas crianças (embora no asfalto desta avenida na Praia da Boa Viagem não haja pedras). O estudante concordou comigo, também queria que motorista tivesse impedido a ação dessas crianças. No meio dessa história de repente apareceu um senhor maltrapilho e falando sozinho, mandando todo mundo "tomar no cu". Foi quando o nosso bus chegou e todos nós o pegamos. Ao subir no dito cujo, o bus, comentei com o estudante ( que eu não sabia ainda que era estudante de Ciências Sociais), que as cenas de rua, dos passageiros de transportes urbanos são assuntos deliciosos para fazer um estudo/pesquisa antropológica.Nesse momento ele comentou que faz a graduação no curso de Ciências Socais na UFPE e que o mestrado será em Antropologia. Ai durante todo o trajeto ( descíamos no mesmo terminal) a conversa girou em torno de Museologia, Antropologia, livros, Claude Levi-Strauss, sebos, Estante Virtual, Livraria Cultura, Política, marxismo etc e tal.... Foi uma ótima viagem. A mulher anônima não participou desse nosso dialogo.