Não é uma historia simples. Não é historia de fadas. Mas é historia humana. Ou...?
Duas mulheres de mais de cinquenta anos conversavam no banco a frente do qual eu estava sentada.
E uma delas falava mais do que a outra. E dizia....
" Vivi um história de relacionamento muito muito parecida a um enredo de novela barata. Começa mais ou menos assim : Davi que amava Maria que amava Miguel, que comia todos e todas."
A partir de agora eu descrevo a conversa que ouvi. Ela é a Maria, que vivia com um Davi que a apresenta ao Miguel, que termina destruindo o relacionamento dos dois (Davi e Maria). O Miguel era casado com uma italiana ( não sabemos seu nome) e tinha dois filhos de 4 e 2 anos. Um dia o Miguel conhece um amante das artes, Bernardo, casado e pai de 3 crianças. A mulher desse Bernardo, Noemi, é ninfomaníaca e não é difícil de imaginar que logo os três começam um affair que acaba com o casamento do Miguel, cuja mulher volta para a Europa com seus dois filhos. Até agora só a Maria chora pelos cantos por ter sido parcialmente desprezada pelo Miguel por conta da nova aventura deste. O Davi não quer mais saber da Maria, nem pintada de ouro! Mas continua amigo do Miguel. Um dia o Miguel resolve ir embora para Europa, louco de saudades dos filhos. A Noemi pira, abandona o marido e os três filhos e se manda para Nova Iorque, onde vive um bom tempo. Sobrou a nostalgia dos abandonados, Bernardo e Maria, que começam uma relação esquisita à sombra dos amores de Naomi e Miguel. Para finalizar, pois existem muitas nuances entre esses dois (Bernardo e Maria), os dois acabam transando e a Maria engravida na primeira transa. Um dia, a Maria está no quarto do casal, sentada na ponta da cama com os dois filhos menores do Bernardo e ele na outra extremidade com a filha mais velha, todos vendo TV. De repente a Maria se volta e da com uma cena que a deixa perturbada e impotente: o Bernardo esta bolinando os pequenos seios da filha de 9 anos, que estava começando a despontar, e que ele já havia comentado de como eram precoces os crescimentos das meninas do lado materno da mãe da garota. Um cometário que a Maria sequer pensou que fosse de um pervertido, mas era! Enfim, a Maria, que ainda não tinha dito ao Bernardo que estava grávida foi embora para a sua casa; e quinze dias depois mudou de cidade, de estado indo morar com a sua mãe, em Recife.
Uma história cheia de nuances mas que eu sintetizei ao máximo, mesmo porque eu não gravo para depois descrever.
O que elas estavam falando era de algo como: deveria ou não ter denunciado esse pai por abusar da filha de 9 anos?
Se fizesse isso, como ficariam os outros dois de 7 e 5 anos? Com a mãe fora do pais?
Segundo a mulher que narra a história isso se passou a mais de 30 anos e ela se vê fazendo as mesmas perguntas para Si!
O que vocês fariam? o que eu faria?
sábado, 16 de novembro de 2013
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
UMA VIAGEM!
Viajar nem sempre é apenas sair da cidade em que se mora/vive e ir para outra, cidade. Viajar é também sair do seu lugar comum e contemplar o que se passa ao seu redor. Hoje começou a minha jornada na decisão de fazer um mestrado. Hoje começaram as aulas de duas disciplinas que escolhi para definir o meu projeto de pós graduação em Arqueologia. E isso requer idas e vindas da minha casa para a Universidade Federal de Pernambuco - uma verdadeira viagem!
A minha surpresa foi que pela segunda vez o bus era conduzido por uma mulher; uma mulher motorista de ônibus! Todos os homens que entravam olhavam e sorriam. Ah! como eu queria poder ter fotografado não só com o meu olho esses momentos! A expressão dos machos vendo uma mulher dirigindo um ônibus é hilaria, pelo menos do meu ponto de vista. Fiz essa foto na contra luz propositalmente. Percebe-se que é uma mulher? Se a resposta for sim, então atingi uma parte do meu objetivo.
Subi e sentei ao lado de uma deficiente visual. Ela se voltou para mim assim que sentei. Mas ficou quieta, sem dizer nada. Uns sete minutos depois ela me pediu para avisa-la quando chegasse a determinada parada, onde iria descer. Eu falei que não sabia dessa parada mas iria pedir a motorista para parar. Tive que falar que não sou da cidade e que não conheço-a bem ainda.
Ai ela perguntou:-"de onde você veio?" respondi -"vim da Bahia".
Ela disse: - "que coincidência . Eu sou baiana do sertão, de uma cidade à beira do Rio São Francisco. Está passeando por aqui?"
Eu respondi: -"Não. Eu estou fazendo um curso na UFPE."!
Ela disse : - " E está no fim." ( afirmando)
Eu respondi: - "Não estou no inicio".
Ela: "Ah!" com uma voz de surpresa.
Muito surrealista.
No final ela perguntou: -"quem está conduzindo esse ônibus é a morena?"
"Sim", falei.
E ela: -"bom... ela já me conhece!" ai chegou no lugar de descer; desceu, sozinha e seguiu para casa.
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sábado, 19 de outubro de 2013
O que é correto?
"Av. Dantas Barreto, onde os camelôs são os donos"
"Da minha janela do bus, uma foto da Livraria Cultura."
"Vendedora de pasteis na cidade universitária".
A viagem de ônibus continua. O chato é não poder fotografar. Embora eu reconheça que as pessoas têm o direito de não se exporem. Portanto me sinto uma raptadora de imagens. Ou melhor, uma ladra de imagens.
São tantas belezas expostas ao meul olhar e tão poucas possibilidades de mostrar! A última viagem, que foi ontem para ir e voltar da aula de Ikebana Sanguetzu, fiquei a observar o volume de mulheres nas ruas e dentro dos ônibus, a começar de eu mesma..Em uma parada subiram oito mulheres e um homem! Eu contei e fiquei quieta. Três paradas depois o motorista comentou com um amigo que estava viajando encostado na porta de entrada ( curioso como muitos homens fazem isso: se encostam na porta e vão trocando lero-lero com os motoristas!) isso: -"oxente, hoje só da mulé na rua!".
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quarta-feira, 16 de outubro de 2013
dentro e fora de bus
Dentro do ônibus eu escuto. As conversas são as mais surrealistas possíveis. Mas uma chamou mais a atenção do que outra. Estava no ônibus Cabo-Sta Rita. O Cabo é uma cidade satélite de Recife; pessoas moram lá e trabalham aqui em Recife. Um passageiro começa a falar sobre assalto ( aliás é conversa corrente dentro de bus). Ele contou para o motorista a seguinte historia: -"Meu irmão ia com o caminhão carregado com um carga sem tamanho. De repente ele vê dois sujeitos deitados , atravessados na pista. Ele acelera e passa por cima dos dois." O vizinho que estava ouvindo a conversa disse: "Isso mesmo, era isso que ele tinha de fazer".
Do lado de fora, pela janela eu olho. As cenas são banais. Em todas as ruas e avenidas de Recife por onde circulam os ônibus existe gente vendendo comida, brinquedos, produtos made in China, jogo do bicho.Não escapa uma rua sequer.
Em frente aos bancos não da para caminhar sem stress.
Dentro do ônibus. A cobradora dorme, a mulher resmunga algo para o motorista. As mulheres sempre detonam com as outras mulheres.É lastimável perceber como as mulheres das classes desfavorecidas se vêem.
Todo mundo fala no celular. Dentro ou fora de ônibus. Atravessando rua, comprando em quiosques, nos correios e etc...Quando eles, os celulares, não existiam o que as pessoas faziam? Telepatia?
A cena bizarra de hoje foi ver estudantes pendurados neste ônibus a minha frente. O motorista do bus em que eu estava queria por queria passar roçando nesse ônibus que as criaturas estavam dependuradas! Felizmente o trânsito ruim não deixou. Ele teve que ficar atrás e quando ultrapassou o outro motorista puxou o bus mais a esquerda!
Recife é uma cidade agradável de ser vista assim, de bus. Muitas pontes, rios, embora muito sujos eu gosto de ver. As águas correndo para o mar. Muitas motocicletas e bicicletas . Cada barbaridade que fazem! De arrepiar!
domingo, 6 de outubro de 2013
ANTROPOLOGIAS EM RECIFE IN BUS....
Faz um tempão que eu não vinha até aqui, nesse espaço tão aconchegante aonde eu gosto de estar comalgumas notícias, alguns fatos. Por causa da minha monografia do TCC na Museologia. A ausência foi grande. Depois daquele Congresso de Arqueologia, em Aracaju, SE, eu fui para Cachoeira-Bahia entregar e apresentar meu trabalho de conclusão de curso! Que desastre! Foi o pior momento ocorrido durante os oito semestres do curso....Mas eu não vim aqui para lamuriar e nem falar de coisas pouco agradáveis. Eu vim para continuar escrevendo as antropologias recifense in Bus. Com as minhas idas a Universidade Federal de Pernambuco onde pretendo me aventurar no Mestrado, falar das viagens nos ônibus vai render muita coisa. A última que eu fiz, que foi na sexta- feira passada eu quase não acreditei nos meus ouvidos. Três pessoas velhas, dois homens e uma mulher, estavam fazendo apologias ao regime de ditadura militar! Eles estavam desejando o retorno do esquema de ditadura para governar o país! Ditadura militar. Três pessoas velhas, classe média baixa, usuários que não pagam passagens, viajando sentados, desconhecidos entre si e com saudosismo do tempo negro do Brasil. Até tentei interferir na conversa dizendo que não era por aí etc e tal. Mas eles fizeram ouvidos de mercador aos meus argumentos.Tudo porque a revolta contra o sistema do metrô (que está péssimo) e que quebraram dois vagões acabou descambando para uma greve dos trens e a população está sofrendo por falta deles. Ao integrar metro com ônibus aqui em Recife, a população está totalmente dependente do sistema, sem opções. Mas até querer de volta uma ditadura militar é O!
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quinta-feira, 22 de agosto de 2013
Antropologia em Recife
Ontem eu estava indo para a minha aula de Ikebana e para isso de onde eu moro, preciso pegar dois ônibus. No primeiro bus, nada de especial eu ouvi e nem vi. Apenas um motorista estressado, grosseiro, o que é muito comum. No segundo ônibus a conversa foi deveras interessante. Entre motoristas. Eles começaram a falar do Amor.O que estava dirigindo o bus começou a falar bem assim: "conversa. ninguém é dono de ninguém. o máximo que podemos falar é que somos companheiros enquanto dura a relação e quando termina cada um deve seguir seu caminho, sem olhar para trás". Cada um que falava uma coisa. E todos pareciam estar sofrendo mal de amor. Foi bem legal ouvi-los!
Hoje a experiência já não foi tão boa. Eu estava indo para a Praia da Boa Viagem. Em um micro ônibus. Em algum lugar subiram duas obesas, enormes, mãe e filha. A mãe me espremeu no canto do bus e ficou com a outra metade fora do banco. Subiu um cara e quando foi passar pela catraca esbarrou com a mochila dele na orelha da mulher. Ai ela se enfesou e gritou :"- não enxerga"? ai ele respondeu "- perdão!" e ela : -" que perdão que nada! não me viu?" e ele -" de novo peço perdão!" ela continuou resmungando. Ai ele disse: -"a senhora me perdoa?" Ela nada. Foi ai que que ele levantou a camisa e apareceu na cintura dele um tremendo de um 38! Ela ainda disse:-" pensa que tenho medo disso?" E eu comecei a tentar convencer ela de parar de falar, pois quanto mais ela resmungava mais o cara se aproximava e ficava falando coisas do tipo: -" a senhora deveria ter entrado pela porta de trás. A senhora é quem está incomodando o passageiro que entra." Gente foi difícil convencer a fulana a calar o bico! mas enfim ela se aquietou. E ele ficava o tempo todo nos mirando. Ufa! meu alívio quado ele desceu trés paradas antes de nós! Quando íamos descer a filha enfim falou"- mãe eu contei até 10 para não falar nada!" Ainda bem.... Quando descíamos a mãe falou assim para a filha, apontando para mim : - essa senhora estava morrendo de medo hahahahhaha! filha da puta, pensei!
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
Antropologias de Recife
Eu acabo de descobrir uma maneira jeitosa de colar fotos no post sem usar as imagens dos desconhecidos, ilustres companheiros de viagens em bus pela cidade do Recife. Imagens dos lugares onde eu estive antes ou depois(?) de entrar num bus. Desta vez eu vou salpicar acontecimentos de três percursos diferentes, mas as fotos serão do lugar que eu visitei hoje na parte da manhã. O primeiro foi percurso que falarei eu fiz domingo passado. Peguei um bus do Recife antigo até a praia da Boa Viagem. E fiquei fascinada observando dois surdos a conversar! Foi muito legal. O segundo percurso, eu tinha acabado de sair do Museu Cidade do Recife, que fica na praça das Cinco Pontas e ia para o Museu Militar, no bairro antigo de Recife.quatro motoristas trocavam filosofias a cerca dos passageiros. O moto que conduzia o bus tinha acabado de ter um bate boca com um cara,"passageiro da agonia"e estava com muita raiva,(o motorista). Os amigos então começaram a falar do quanto as pessoas são ruins, mal educadas, grosseiras e tudo mais, que não cumprimentam o motorista, fazem perguntas idiotas, e querem sempre estarem com a razão. Pois os colegas motoristas estavam solidários com o condutor, recém atingido por palavras grosseiras. Pronto! Foi só falar de maldade e bondade que começaram a pipocar altas filosofias dos passageiros! Quando um que estava calado finalmente verbalizou: ".O ser humano já nasce ruim quando é ruim não tem jeito que dê jeito. E quando é bom, coisa rara, é bom sem precisar de acrescentar nada! Ai estava na hora de eu descer e o papo filosófico continuou rolando no omnibus, provavelmente, ou não!
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